Aplicativos para pedido de táxi viram febre em Belo Horizonte

Depois de perder clientes comuns para aplicativos de smartphones, que driblam atendimento pelo telefone, cooperativas de BH reagem e financiam programa próprio para voltar à disputa

Os cooperados Júlio Fonseca e Marcelo Araújo esperam voltar à briga por passageiros comuns com o aplicativo próprio

Os cooperados Júlio Fonseca e Marcelo Araújo esperam voltar à briga por passageiros comuns com o aplicativo próprio

Aplicativos para pedido de táxi viraram febre em Belo Horizonte e caíram nas graças de taxistas e passageiros. Com as corridas à distância de um toque, o futuro das cooperativas foi colocado em xeque. Com a novidade, algumas já calculam perdas de 20% a 30% no número de atendimentos a pessoas físicas nos últimos dois meses. Isso porque, do total de 6.577 taxistas registrados pela BHTrans, a estimativa é de que pelo menos 3 mil estejam usando o aplicativo Way Taxi e 4 mil o Easy Taxi. Em resumo, mais da metade dos motoristas da capital usa os dois aplicativos com o intuito de aumentar o volume de corridas.

Ávidos por um serviço rápido e de qualidade, os consumidores dão força à ferramenta. “É prático , fácil de usar e tem credibilidade, já que tem as avaliações de outros passageiros, que comentam sobre o atendimento de cada taxista”, resume a publicitária Larissa Machado, que usa os aplicativos há quatro meses, desde que vendeu seu carro para fugir do trânsito. “Nunca tive problema. Até em bairros afastados consigo usar o aplicativo”, lembra. “Gosto porque ele elimina o atendimento demorado feito pelo telefone e também o risco de o táxi não vir. Afinal, o acompanho em tempo real o deslocamento”, reforça a publicitária.

Diante desse novo movimento, as cooperativas enfrentam a concorrência com o lançamento de um aplicativo similar aos já existentes no mercado, o TáxiOn. Márcio Antônio da Silva, presidente da Coopertáxi – que possui 401 associados e mais de 800 motoristas – conta que, para se manter na briga pela preferência dos usuários, a saída foi o desenvolvimento do aplicativo, com outras quatro cooperativas que também sentiram o impacto dos apps. As parceiras Ligue Táxi, Coomotáxi, Unitáxi e Viptáxi somam mais de 2 mil carros. A ferramenta, segundo Márcio, já está disponível para downloads desde a última semana e segue em fase de testes. “O usuário vai saber que cooperativa vai atendê-lo, receber todos os dados do motorista e isso passa uma segurança ainda maior para o cliente”, acrescenta.

A ferramenta, segundo Silva, elimina o contato com a telefonista e permite que o cliente envie, por meio do smartphone, as informações de localização e destino, diretamente para o aparelho do taxista. De acordo com Jander Mello, representante da Smartsis, empresa responsável pelo desenvolvimento do TáxiOn, até novembro o aplicativo deverá passar por atualizações e melhorias, como a possibilidade de escolher os opcionais do táxi e o pagamento com cartões. Mello destaca como diferencial do app, se comparado com os demais, o fato de os motoristas não terem acesso ao telefone do cliente, que fica armazenado em um banco de dados da cooperativa – única que tem permissão para contatar o usuário.

Comodidade

Os taxistas cooperados Júlio Fonseca e Marcelo Araújo, que estão há 12 anos e 18 anos no mercado, respectivamente, já começam a sentir os reflexos da nova ferramenta, inclusive com o registro de novas chamadas. “Tão importante quanto ter um carro novo, com opcionais, é agregar valor ao serviço que prestamos com bom atendimento e também tecnologia”, garante Júlio. Para Marcelo, a nova tecnologia poderá ajudar a enfrentar o problema de mobilidade, principalmente nos horários de pico. “O passageiro terá a possibilidade de encontrar entre as cinco cooperativas, ou seja, 1 mil taxistas, o carro mais próximo. Com isso, os cooperados ganham na mobilidade e ampliam as possibilidades de atendimento”, lembra.

Usuário do Way Taxi há dois anos, Ronaldo Duarte Elias registrou, desde então, alta de 35% no volume de corridas. Antes, ele esperava por passageiros em um ponto no Bairro Sagrada Família ou os procurava na rua. “Perdia muito tempo rodando, gastava mais gasolina atrás de passageiros. Agora, eles vêm até mim”, lembra. Avaliado como um taxista cinco estrelas pelos passageiros que usam o app, ele chega a fazer 20 corridas por dia nos fins de semana. “De 60% a 65% das corridas do dia a dia já são facilitadas por esse aplicativo”, lembra.
Por demandar baixo investimento e ser gratuito para o taxista, que fica livre de mensalidades ou taxas sobre corridas, Elias conta que o aplicativo tem sido um bom negócio. “Meu custo é apenas com o celular, mais R$ 60 de internet por mês”, afirma. “Aqueles resistentes às novidades vão sobrar no mercado.”

Dirceu Efigênio Reis, presidente do Sindicato Intermunicipal dos Condutores Autônomos de Veículos Rodoviários, Taxistas e Transportadores Rodoviários Autônomos de Bens de Minas Gerais (Sincavir MG), avalia a entrada dos aplicativos como boa para o mercado. Segundo ele, além de dar comodidade aos passageiros, a novidade estimula a concorrência e melhora o serviço. “A tecnologia bate à nossa porta todos os dias e temos que nos adequar”, diz. “Prova disso é que, para não perder mercado, as cooperativas idealizaram o próprio aplicativo”, ressalta.

Placa, nome e foto

Entre os benefícios dos aplicativos que já estão disponíveis na capital mineira, os idealizadores destacam a possibilidade de acompanhar o trajeto do carro, receber informações sobre os condutores, como nome, modelo do veículo, placa e foto. Outra vantagem é poder escolher opcionais do carro e a forma de pagamento. No caso do Way Taxi, por exemplo, o usuário pode, inclusive, avaliar o taxista ao fim do serviço, podendo bloqueá-lo em caso de mau atendimento, além de recuperar itens esquecidos no carro.

Embora a adesão de taxistas às inovações pressione as cooperativas, segundo Cláudio Ávila, CEO da Way Taxi, elas não devem ser extintas. Para ele, cujo aplicativo tem taxistas cadastrados em mais de 100 cidades, o recurso é apenas uma ferramenta de comunicação. “Nossa ideia é fazer a comunicação, e as cooperativas continuarem trabalhando os convênios”, justifica. Para ele, no entanto, o caminho das cooperativas não deve ser a criação de aplicativos próprios. “O problema continua sendo as filas individuais”, lembra. Segundo Ávila, o gargalo desse mercado hoje são as várias filas de táxis criadas a partir da divisão da frota. “Nosso conceito é criar uma fila única para que o passageiro tenha a resposta em um mesmo canal, sem perder tempo”, afirma.

Novidades

De olho nesse mercado, a Easy Taxi, que conta com mais de 60 mil taxistas cadastrados em todo o mundo, com 1,5 milhão de usuários, e registra crescimento de 112% ao mês, lança novos serviços. De acordo com o diretor-executivo Tallis Gomes, mineiro radicado no Rio de Janeiro, a grande novidade é o Easy Táxi Pro, serviço que facilita o pedido de táxis por estabelecimentos como bares e restaurantes. “Até então, só podiam chamar um táxi por vez. Agora, vão poder otimizar o serviço, chamando até quatro táxis por vez, além de acompanharem o trajeto do cliente”, lembra. Para ele, a busca por comodidade e rapidez garantem o sucesso da ideia. “O aplicativo abre uma linha de comunicação em tempo real entre passageiro e taxista. Cooperativas e radiotáxis, muitas vezes, têm atendimento demorado, enquanto o aplicativo permite a escolha de um carro certo em diversas situações”, afirma.

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